No livro Mosaicos do Presente , Henri J. M. Nouwen, coloca uma questão interessante: “Por que não nos preparamos para a morte?”. Podemos ampliar essa reflexão perguntando: Por que em nossas escolas não discutimos o destino inevitável de todos? Ouço nos discursos acadêmicos que “a escola deve preparar para a vida”. Acredito que ninguém prepara ninguém para a vida. Então, antes de “ensinar” para a vida a escola DEVE SER um local de VIDA, que não se limite estritamente ao conteúdo. E a morte deve ser parte dessa vida.
Ter-se a presunção de poder "preparar" alguém para a vida é um forte demais. Não ter a disposição para discutir a morte, enquanto parte da vida, é coragem de menos, ou covardia demais.
Ter-se a presunção de poder "preparar" alguém para a vida é um forte demais. Não ter a disposição para discutir a morte, enquanto parte da vida, é coragem de menos, ou covardia demais.
C.S. Lewis, enxergava a morte como uma grande aventura, a qual deveria ser encarada com extrema expectativa, coragem e determinação. Afinal, seria a última aventura.
Ou não!
Ou não!
Por que falo em morte?
Essa semana, minha filha Elisa Bella , 4 anos , me perguntou :
- Papai! Quando você morrer você vai voltar igual o Aslam ( o leão do filme Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C.S. Lewis)?
- Não filha, só o Aslam pode fazer isso! Quando morremos nós não voltamos mais. Foi assim com o vovô! Lembra que eu te contei?
- Mas eu quero que você volte! Eu não quero que você morra!
- Eu também não quero morrer, filha! Mas todos morrem!
- Mas se você morrer quem vai cuidar de mim?
- Não se preocupe com isso agora, filha!
- Mas você promete que não vai morrer?
- Isso eu não posso prometer, filha. Mas posso prometer que vou fazer o possível para não morrer!
Como é difícil discutir a morte. Assim protelamos todos os dias essa discussão, quando deveríamos encará-la com uma questão natural... dolorida... mas natural.
Acho admirável que algumas pessoas, ao saberem que estão nos últimos dias de suas vidas, convidem alguns amigos e realizem uma festa. Festa que brinde os belos momentos desta vida, declarando estarem preparados para a grande aventura da morte.
Confesso que, além de não estar preparado, também não é fácil para mim discutir tal assunto. Vou tentar mudar.
Enquanto isso, Elisa Bella, grande amor, vamos cantando canções para nós vivermos mais.
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