Outro dia ouvia rádio, isso mesmo, rádio, aquele negócio que solta um sonzinho, toca música e toca notícia, aquele aparelho que quase ninguém mais coloca para funcionar. Mas estava eu com meus pensamentos, devaneios constantes, quando fui interrompido por um comercial de apartamento. No comercial um casal conversava sobre a aproximação da data que iriam receber o apartamento.
Então a mulher perguntava com uma empolgação sem tamanho: “Vai ter armário?”
Me veio a indagação: Por que mulher gosta tanto de armário? Para que é necessário milhões de armários em um apartamento?
Por mais que elas desenvolvam teorias científicas, recorram a Freud para explicar, elas não conseguirão ( e com certeza nem ele, Jung e Cia Ltda explicarão, talvez o Paulo Coelho... hummmm... talvez) .
Mas ao se aproximar a entrega de mais um apartamento lá estará uma mulher, pronta para iniciar a saga em busca do armário perfeito. Ficará noites e noites acordada até altas horas da madrugada, pesquisando na internet o armário com detalhes originais, o que a vizinha não tem, etc.
Então fiquei pensando no significado “armário”. Como vôo legal, veio-me na cabeça o armário do livro de C.S. Lewis, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. “ Nada a ver”, você me diria. E eu concordaria. Mas me veio a cabeça.
Depois veio “Sair do armário”. De onde veio o termo “Sair do Armário”? Quem teve a ideia brilhante de usar este termo para uma pessoa que assume a sua homossexualidade.
Cheguei até o professor de História da Universidade de Yale, George Chauncey, que no seu livro “Nova Yorque gay: gênero, cultura urbana e o mundo do homem gay”, coloca que na década de 1920 a 1930 era usado o termo “sair” quando as pessoas começavam a freqüentar os lugares em que a comunidade gay se reuniam. A saída era, na verdade, uma entrada na cultura gay, com seus bares, locais de confraternização, boates etc.
Segundo Chauncey, o termo “armário” foi acoplado nos anos 1950. “Sair do armário” é uma metáfora mista, uma evolução de “o esqueleto no armário” especificamente se referindo a viver uma vida de negação e sigilo por ocultar a orientação homossexual ou bissexual. Ter esqueletos no armário é uma expressão que fala de segredos bem profundos, algo muito bem guardado.
Soma-se esses detalhes a uma analogia que relaciona a introdução dos homossexuais no universo gay a uma festa de debutante: a comemoração de uma adolescente por se transformar numa mulher e ter sua representação formal na sociedade por alcançar a fase adulta ou estar apta para se casar.
Ou seja, chegamos a fórmula que Freud, Jung, Cia Ltda e até mesmo Paulo Coelho desenvolveram, "sair do armário" = festa de debutante + esqueleto no armário.
Remetendo-nos ao pecado original, como homem, e em defesa da serpente, me invisto do DIREITO SOBERANO de culpar a mulher pelas saídas de armário de tantos homens.
Afinal de contas: PARA QUÊ TANTO ARMÁRIO?
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