quinta-feira, 5 de maio de 2011

AOS MEUS FANTASMAS COM CARINHO



Sempre fui “cagão”. Sim, confesso: SOU UM CAGÃO. Cagão é uma gíria usada por minha geração para definir uma pessoa medrosa.

Sempre me “caguei” em diversas situações da minha vida. Me “cagava” de brigas. Às vezes meus oponentes eram menores do que eu, mas na hora “H” me “cagava” e, ainda bem, fugia da briga, fazia de conta que nada estava acontecendo.

Até adolescente, sempre tive “cagaço” de fantasmas. Os adultos sempre diziam: “fantasmas não existem”, mas o cagaço era maior. Uma vez, tive que ajudar meu avô em uma obra no cemitério de Lins – SP. Devia ter mais ou menos uns 12 anos. Tinha que pegar tijolos retirados do túmulo da minha bisavó e, com o auxílio de um carrinho de mão, atravessar o cemitério levando a outro túmulo de minha outra bisavó. SOZINHO! Imagina o “cagaço”



Quando “virei” adulto, o “cagaço” de fantasmas desapareceu, mas outros “cagaços” continuaram. Esses “cagaços” me fizeram às vezes bem, muitas vezes mal. Algumas vezes posso não ter vivido experiências que seriam importantes , outras vezes posso ter deixado de viver um grande amor...por quê? Porque me “caguei” todo...

Quando começamos envelhecer os “cagaços” começam a diminuir. Coincidência ou não, bem no momento em que eles começam a diminuir os fantasmas começam a aparecer, fantasmas do passado...

Mas são fantasmas camaradas, assim como o Gasparzinho, fantasmas que nos visitam de vez em quando, no momento em que menos esperamos , para dizer o quanto vale a pena viver alguns momentos intensos , mesmo que ... talvez... possam ter sidos curtos...




Os adultos são mentirosos. Não conseguirei mais falar para minhas filhas que fantasmas não existem. Existem sim, mas não me causam mais “cagaço”, muito pelo contrário, carinhosamente fazem parte da minha jornada...




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