quarta-feira, 15 de setembro de 2010
THIAGO E A FELICIDADE
EDVALDO SANTANA - QUEM É QUE NÃO QUER SER FELIZ
Meu violão estava com as cordas velhas. Hesitei em trocá-las. Corda de violão é assim: as novas levam algum tempo para se adaptar e, a afinação demora a permanecer da maneira que você gosta. Mas depois de algum tempo a melodia emitida por cordas novas é incomparável e, as velhas não fazem falta alguma.
Na vida é assim, teimamos em enfrentar novas possibilidades por preguiça, acomodação, por falta de paciência em esperar.
Mas quando enfrentamos, após um tempo, temos a satisfação de perceber que o novo trás crescimento. Logo após, nos acomodamos e quando o novo (de novo) retorna, nos amedrontamos.
Tenho optado sempre pelo novo, torna a vida menos morna.
Encontrei um ex-aluno na loja de instrumentos musicais em que fui comprar as cordas do violão. Não o via há nove anos mas lembrava de seu nome: Tiago.
Perguntei como estava a vida dele.
Me contou que era o gerente daquela loja e que sempre trabalhou com música, desde que saiu do Ensino Médio.
Lembro-me que ele sempre afirmou que não faria faculdade e que trabalharia com música.
Traçou seu rumo, se especializou, viajou bastante como representante de uma fábrica de violão, tornou-se gerente de loja de instrumentos musicais.
Falou-me que ganhava o suficiente para ter uma boa vida e que seu trabalho era realizado com prazer, alegria e entusiasmo.
Isso vem reafirmar o que venho defendendo há tempos com meus alunos. Ao contrário do que muitos afirmam, chegar ao ensino superior não significa que a pessoa terá bons salários, e mesmo que tenha bons salários não significa que será feliz em seu trabalho ou mesmo em sua vida particular.
No dito mundo globalizado, cada vez menos, o diploma universitário significa sucesso. O que mostra que o ensino técnico, na maioria das vezes lhe abre mais portas do que o ensino superior.
O sucesso depende da competência de quem faz e os instrumentos utilizados para se fazer.
Claro que o diploma universitário te oferece oportunidades ímpares, mas não é essencial nos tempos modernos.
Enquanto professor, não uso o discurso simplista de que se deve estudar para chegar a universidade e “ser alguém na vida”. Todos nós já somos alguém.
Chegar na universidade deve ser encarado como fonte de prazer e como conseqüência de um trabalho, não como obrigação.
Tiago declarou-se muito feliz e que não trocaria seu trabalho por outro com salário maior.
O que importa na vida não é dinheiro, não é ter os móveis da última moda ou o carro do ano.
É ter paz, andar desencanado, rir, aproveitar os detalhes oferecidos pela vida, andar descalço, tomar banho de chuva, rir da Tia Teresa...
É viver a vida!
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Concordo P-L-E-N-A-M-E-N-T-E!
ResponderExcluirJuro que eu precisava ouvir (ler) isso hoje. Preciso repensar algumas coisas na minha vida. Reorganizar meu caminho. Abs amigos. Sandra Campelo
ResponderExcluirConcordo Também, plenamente!!
ResponderExcluirVânia Mara