sábado, 18 de setembro de 2010

RESTARTS, CINES E OS OTÁRIOS


POLEGAR -DÁ PRÁ MIM





Um aluno me pediu para escrever sobre a banda Restart . De lambuja podemos falar do Cine e do Júnior da Sandy.

Júnior  disse, esta semana,  que sente vergonha do seriado que protagonizou com a irmã na TV Globo entre 1999 e 2003.  Indiretamente, inconscientemente assume a vergonha de seu passado. Sua música  está intimamente ligada ao “espírito” do programa que protagonizou com sua irmã.
Sandy terminou a dupla por que queria experimentar uma música mais “rebuscada”, de mais qualidade. Vamos ver qual o rumo que ela vai dar a sua carreira. Talento ela tem.

Todos que foram jovens realmente (têm gente que passou direto para a fase adulta),  já cometeram besteiras das quais se arrependeram. Por quê o Júnior não pode ter vergonha?

Gosto muito de música. Componho algumas coisas. Sou um músico insignificante.

Para compensar minha insignificância musical me esforço bastante em meus poemas e letras de música e tenho tido sucesso. Procuro dar significado a tudo que escrevo.

Antes de analisar  o Restart, tive que ouvir as músicas.  Recebi a orientação de alunos para ouvir o Cine também. Aí me lembrei da década de 1980. Fui até o Yotube ( que maravilha a tecnologia) e procurei vídeos do Dominó e do Polegar.

Dominó e Polegar são grupos oriundos dos Menudos. Praga que  abateu a população brasileira na década de  1980.
Essas pragas acontecem freqüentemente porque a  indústria cultural precisa sobreviver. Então criam essas aberrações. 

Colocam  jovens , alguns talentosos  outros não, nessa máquina de moer pessoas, com o único objetivo,  ganhar dinheiro de pessoas carentes de ídolos e que estão dispostas a colocar as fotos de qualquer em suas paredes.

Mas vamos lá à análise.

Menudos, Dominó e Polegar eram grupos formados por jovens de bela aparência (ao menos para as mulheres), cabelos “milimetricamente” cortados em salões, roupas planejadas e de cores sóbrias. 


Tudo isso em contraponto a  uma época onde  o amor livre vivia seu auge. Comportamento  que depois ruiria com o advento da AIDS.



As músicas eram para cima,   a maioria com sentido duplo (como “Dá Pra mim”, do grupo Polegar), totalmente desprovidas de conteúdo e com arranjos que mostravam a que vieram: ganhar dinheiro de otários (porque sempre existirão os otários e sempre existirão os que ganharão dinheiro com otários)  

Vamos aos restarts,  os cines e os Justin Biebers da vida.

Os cabelos são milimetricamente,  cuidadosamente desgrenhados, provavelmente em horas diante  do espelho. As roupas coloridas ridiculamente em uma época onde ser “colorido” é sinal de estar em concordância com o mundo globalizado, sem fronteiras e preconceitos. O colorido abrange todas as tribos.

Utilizam óculos ridículos .  Cantam como se estivessem no banheiro fazendo força.

Quando estão diante das câmeras fazem caras e bocas de modelos femininos,  parecendo que estão tendo  orgasmos. Nisso os polegares, dominós e menudos eram mais másculos.

Alguns fazem o tipo de nerd, talvez querendo dar uma conotação intelectual ao personagem que representam. Caem no ridículo e no vazio.

Há uma profunda pobreza musical  na escolha dos nomes dos grupos. Aí você vai falar que os da década de 80 também eram. Concordo com você.

"Musicalmente" os cines e restarts são melhores. As melodias são um pouco mais ricas, as baladas  são menos desinteressantes e   em alguns momentos dá para perceber o talento de músicos em alguns.

As  duas gerações representam muito bem a época em que viveram. Gerações desprovidas de conteúdo, desprovidas de compromisso social, alienadas da sua realidade e de seu papel neste mundinho véio de meu Deus. Bem representada em suas letras medíocres  e cheia de clichês românticos.

Pena que não saibam que dá para falar de amor sem ser imbecil.

Assim como o Polegar, o Dominó e Menudos, são transitórios, não agüentam três verões.

Assim como tem o MST (Movimento dos Sem-Terra) tem o MSC  - Movimento dos Sem-Conteúdo).

Graças a Deus vão desaparecer,  para depois surgirem outros grupos que vão saciar a sede de outros otários.

Como diria Itamar Assumpção:

“...Um tremendo de um otário...
Toda luz no fim do túnel
Para macaco sem galho
Numa frase se resume
É trem em sentido contrário.”

Um comentário:

  1. E os verdadeiros talentos travam uma batalha pra conseguir reconhecimento e espaço na mídia, que o diga Roberta Sá e muuuuuitos outros artistas.
    Bjo,

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