quarta-feira, 29 de setembro de 2010

SOLIDÃO



Vou seguir assim
ao seu lado,
empapuçado
de solidão.

E quando
o gás acabar
e os balões não
subirem mais,
quero ficar
no teu colo
e adormecer em paz. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

NÃO TENHO ESPELHO


Interessante como o ser humano não consegue enxergar seus erros. Principalmente quando está no poder.
Quem está no topo de qualquer cadeia hierárquica sempre acha que não comete erros. Sempre se acha acima do bem e do mal, infalível.
Quando FHC era presidente do Brasil era assim, soberbo. Agora é Lula. Amanhã será Dilma ou quem assumir o poder.
Esse comportamento é próprio da humanidade, seja em casa, com pais soberbos, na igreja, com religiosos soberbos, seja no trabalho, com chefes soberbos.
Lembro quando estourou o escândalo da Caixa de Pandora aqui no DF, a diretora da escola na qual eu trabalhava  comentou em reunião, que havia sido convidada para receber um  título na Câmara Legislativa do DF.
E que agradecia a Deus por não ter ido receber o premio. Como se ela estivesse acima dos deputados, a maioria envolvida nos escândalos.
Já sabíamos de vários desvios de conduta da mesma, como já relatei em algumas de minhas crônicas neste blog.
Alguns meses depois descobrimos que ela havia aprovado por “debaixo dos panos”, contra o Conselho de Classe Final, vários alunos que haviam sido reprovados em Português.
A professora que havia reprovado os alunos descobriu e entrou com uma representação junto a Regional de Ensino.
A diretora que sempre se gabava de não ser política, usou de sua influência, moveu seus “pauzinhos” e abafou habilidosamente o erro gravíssimo que cometera.
Ela cometeu vários crimes em um só, mas como detinha o “poder” conseguiu  se safar, da punição, não da vergonha da manipulação dos fatos.
Boa intenção? Disso o inferno está cheio e o diabo empapuçado.
Ela é diferente ou superior aos deputados dos quais  ela  dava graças a Deus ter recusado o título?
Devia não só aceitar o título como ter uma foto junto aos nobres deputados. É da mesma estirpe.


Se fez a cama devia dormir nela. O poder, além de corromper, veda os olhos!


Os registros podem mentir,  mas os bastidores não. 


Os bastidores têm espelhos, os que detém o poder jamais. 


Ou quando os têm não conseguem ver o que é  realmente  refletido neles.

sábado, 18 de setembro de 2010

RESTARTS, CINES E OS OTÁRIOS


POLEGAR -DÁ PRÁ MIM





Um aluno me pediu para escrever sobre a banda Restart . De lambuja podemos falar do Cine e do Júnior da Sandy.

Júnior  disse, esta semana,  que sente vergonha do seriado que protagonizou com a irmã na TV Globo entre 1999 e 2003.  Indiretamente, inconscientemente assume a vergonha de seu passado. Sua música  está intimamente ligada ao “espírito” do programa que protagonizou com sua irmã.
Sandy terminou a dupla por que queria experimentar uma música mais “rebuscada”, de mais qualidade. Vamos ver qual o rumo que ela vai dar a sua carreira. Talento ela tem.

Todos que foram jovens realmente (têm gente que passou direto para a fase adulta),  já cometeram besteiras das quais se arrependeram. Por quê o Júnior não pode ter vergonha?

Gosto muito de música. Componho algumas coisas. Sou um músico insignificante.

Para compensar minha insignificância musical me esforço bastante em meus poemas e letras de música e tenho tido sucesso. Procuro dar significado a tudo que escrevo.

Antes de analisar  o Restart, tive que ouvir as músicas.  Recebi a orientação de alunos para ouvir o Cine também. Aí me lembrei da década de 1980. Fui até o Yotube ( que maravilha a tecnologia) e procurei vídeos do Dominó e do Polegar.

Dominó e Polegar são grupos oriundos dos Menudos. Praga que  abateu a população brasileira na década de  1980.
Essas pragas acontecem freqüentemente porque a  indústria cultural precisa sobreviver. Então criam essas aberrações. 

Colocam  jovens , alguns talentosos  outros não, nessa máquina de moer pessoas, com o único objetivo,  ganhar dinheiro de pessoas carentes de ídolos e que estão dispostas a colocar as fotos de qualquer em suas paredes.

Mas vamos lá à análise.

Menudos, Dominó e Polegar eram grupos formados por jovens de bela aparência (ao menos para as mulheres), cabelos “milimetricamente” cortados em salões, roupas planejadas e de cores sóbrias. 


Tudo isso em contraponto a  uma época onde  o amor livre vivia seu auge. Comportamento  que depois ruiria com o advento da AIDS.



As músicas eram para cima,   a maioria com sentido duplo (como “Dá Pra mim”, do grupo Polegar), totalmente desprovidas de conteúdo e com arranjos que mostravam a que vieram: ganhar dinheiro de otários (porque sempre existirão os otários e sempre existirão os que ganharão dinheiro com otários)  

Vamos aos restarts,  os cines e os Justin Biebers da vida.

Os cabelos são milimetricamente,  cuidadosamente desgrenhados, provavelmente em horas diante  do espelho. As roupas coloridas ridiculamente em uma época onde ser “colorido” é sinal de estar em concordância com o mundo globalizado, sem fronteiras e preconceitos. O colorido abrange todas as tribos.

Utilizam óculos ridículos .  Cantam como se estivessem no banheiro fazendo força.

Quando estão diante das câmeras fazem caras e bocas de modelos femininos,  parecendo que estão tendo  orgasmos. Nisso os polegares, dominós e menudos eram mais másculos.

Alguns fazem o tipo de nerd, talvez querendo dar uma conotação intelectual ao personagem que representam. Caem no ridículo e no vazio.

Há uma profunda pobreza musical  na escolha dos nomes dos grupos. Aí você vai falar que os da década de 80 também eram. Concordo com você.

"Musicalmente" os cines e restarts são melhores. As melodias são um pouco mais ricas, as baladas  são menos desinteressantes e   em alguns momentos dá para perceber o talento de músicos em alguns.

As  duas gerações representam muito bem a época em que viveram. Gerações desprovidas de conteúdo, desprovidas de compromisso social, alienadas da sua realidade e de seu papel neste mundinho véio de meu Deus. Bem representada em suas letras medíocres  e cheia de clichês românticos.

Pena que não saibam que dá para falar de amor sem ser imbecil.

Assim como o Polegar, o Dominó e Menudos, são transitórios, não agüentam três verões.

Assim como tem o MST (Movimento dos Sem-Terra) tem o MSC  - Movimento dos Sem-Conteúdo).

Graças a Deus vão desaparecer,  para depois surgirem outros grupos que vão saciar a sede de outros otários.

Como diria Itamar Assumpção:

“...Um tremendo de um otário...
Toda luz no fim do túnel
Para macaco sem galho
Numa frase se resume
É trem em sentido contrário.”

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

THIAGO E A FELICIDADE


EDVALDO SANTANA - QUEM É QUE NÃO QUER SER FELIZ


Meu violão estava com as cordas velhas. Hesitei em trocá-las. Corda de violão é assim: as novas levam algum tempo para se adaptar e, a afinação demora a permanecer da maneira que você gosta. Mas depois de algum tempo a melodia emitida por cordas novas é incomparável e,  as velhas não fazem falta alguma.



Na vida é assim, teimamos em enfrentar novas possibilidades por preguiça, acomodação, por falta de paciência em esperar.


Mas quando enfrentamos, após um tempo, temos a satisfação de perceber que o novo trás crescimento. Logo após,  nos acomodamos e quando o novo (de novo)  retorna,  nos amedrontamos.


Tenho optado sempre pelo novo,  torna a vida menos morna.


Encontrei um ex-aluno na loja de instrumentos musicais em que fui comprar as cordas do violão. Não o via há nove anos mas lembrava de seu nome: Tiago.


Perguntei como estava a vida dele.


Me contou que era o gerente daquela loja e que sempre trabalhou com música, desde que saiu do Ensino Médio.


Lembro-me que ele sempre afirmou que não faria faculdade e que trabalharia com música.


Traçou seu rumo, se especializou, viajou bastante como representante de uma fábrica de violão, tornou-se gerente de loja de instrumentos musicais.


Falou-me que ganhava o suficiente para ter uma boa vida e que seu trabalho era realizado com prazer, alegria e entusiasmo.


Isso vem reafirmar o que venho defendendo há tempos com meus alunos. Ao contrário do que muitos afirmam, chegar ao ensino superior não significa que a pessoa terá bons salários, e  mesmo que tenha bons salários não significa que será feliz em seu trabalho ou mesmo em sua vida particular.


No dito mundo globalizado, cada vez menos, o diploma universitário significa sucesso. O que mostra que o ensino técnico, na maioria das vezes lhe abre mais portas do que o ensino superior.


O sucesso depende da competência de quem faz e os instrumentos utilizados para se fazer.


Claro que o diploma universitário te oferece oportunidades ímpares, mas não é essencial nos tempos modernos.


Enquanto professor, não uso o discurso simplista de que se deve estudar para chegar a universidade e “ser alguém na vida”. Todos nós já somos alguém.


Chegar na universidade deve ser encarado como fonte de prazer e como conseqüência de um trabalho, não como obrigação.

Tiago declarou-se muito feliz e que não trocaria seu trabalho por outro com salário maior.


O que importa na vida não é dinheiro, não é ter os móveis da última moda ou o carro do ano.


É ter paz, andar desencanado, rir, aproveitar os detalhes oferecidos pela vida, andar descalço, tomar banho de chuva, rir da Tia Teresa...


É viver a vida!

domingo, 12 de setembro de 2010

E VIVA O AMÉRICA!




CAGAR É BOM - LÍNGUA DE TRAPO


Hoje fui ao banheiro de um Shopping, extremamente pequeno e calmo.  No piso do Shopping não estava aberta nenhuma loja e o silêncio dos corredores era algo marcante. Dava para ouvir os passos de qualquer inseto.

Quando adentrei ao banheiro ouvi um assobio de uma música de vinheta de futebol que vinha de dentro do recinto. Pensei que alguém estava fazendo xixi e assobiando, coisa que já presenciei muito.

Mas não. O indivíduo estava defecando. Isso mesmo: fazendo suas necessidades fisiológicas, passando um fax, fazendo um barro, como diria minha bela e meiga avó: obrando,  cagando e assobiando. E em intervalos parava de assobiar e sussurrava: AMÉRICA, voltando rapidamente assobiar.

Que cidadão, nos tempos de hoje, torce pelo América?
Que cidadão corajoso, continua assobiando, cagando  e torcendo pelo AMÉRICA ao mesmo tempo, mesmo após ouvir a entrada de uma pessoa ao banheiro?

Uma pessoa que está cagando e assobiando para você!

Poderia estar cagando e andando. Mas nos dias politicamente corretos de hoje,  ele seria imediatamente conduzido a uma delegacia. Não podemos mais cagar e andar para ninguém.

O mais interessante é que dava para ouvir nitidamente   a "escultura" do cidadão cair nas águas plácidas contidas no vaso.

Lembrei-me da música inspiradíssima do grupo Língua  de Trapo, “Cagar é bom”. E aí você começa a lembrar de uma série de histórias.

Alguém me contou, e aí não posso revelar a identidade, que uma determinada pessoa, antes de viajar para o Acre, comeu muito queijo e pamonha (daí você pode deduzir que  se trata de um goiano). A mãe bem que tentou avisá-lo  de que não era uma boa idéia, mas não obteve sucesso.


No meio do caminho deu uma dor de barriga imensa no pacato cidadão, que teve que parar o carro  e dar uma “idinha” ao mato.

Quando retornou falou para todos que estavam no carro: “Vocês tem que ver o que eu fiz! Eu não acredito no tamanho daquilo que saiu de dentro de mim! Venham ver... vocês têm que ver! Pena que não tenha uma máquina fotográfica para registrar esse momento!”

Depois de uma boa cagada não há quem não olhe para a bela obra que fez, antes de mandá-la embora,  esgoto abaixo.

É fundamental SEMPRE olharmos para o passado e vermos  a merda que fizemos em determinados momentos de nossa vida! Principalmente quando ela for FENOMENAL!


sábado, 11 de setembro de 2010

QUEM É DILMA?


Doctor Zhivago - Lara's Theme

Há muito tempo não escrevo nem ao menos discuto temas que abordem política. É um tema que não me atrai em hipótese alguma. Não acho que avançamos em nada. Muito menos em termos democráticos. Não vivemos uma democracia real, verdadeira.


Mas então o que me leva a falar sobre um tema que me é tão irrelevante, apesar de sua relevância (risos)?


É que uns poucos comungam com meus pensamentos. Então me vi tentado a registrar alguns pensamentos sobre a política atual.


Não gosto de fazer comparações entre épocas. Acho que não cabem. Cada época é sua, incomparável. Mas podemos fazer paralelos.


Lembrei-me do filme Doutor Jivago , épico baseado no romance homônimo de Boris Pasternak. O filme conta a história de um médico e poeta que inicialmente apoia a revolução Russa, mas, aos poucos, se desilude com o socialismo e descobre as verdadeiras intenções da Revolução Socialista, os fins justificam os meios. Jivago se divide entre dois amores: a esposa Tania (Geraldine Chaplin) e a bela plebéia Lara (Julie Christie). O Tema de Lara (Lara's Theme), composto por Maurice Jarre, virou um clássico.

Muitos pensadores de esquerda estão fazendo o balanço do governo Lula e caindo na real que o sonho acabou . Os aliados de Lula mostram quem ele realmente é e para quais caminhos o país trilha.


Cabe a cada um refletir sobre esses caminhos e escolher qual postura a tomar.


Mas uma pergunta é fundamental para tirarmos as provas dos noves fora = nada no frigir dos ovos: QUEM É DILMA?


A conjuntura do país me lembra muito uma história do rapaz que, querendo casar, inventa mil histórias, faz seu marketing mostrando todas suas qualidades, seduz, trata com todo carinho, faz todas suas vontades, promete mundos e fundos. E depois do casamento se mostra realmente como é: o Sapo.


Lula sabe muito bem quem Dilma é.


Só saberemos quem ela é quando assumir o poder.


Será uma sapa?

domingo, 5 de setembro de 2010

NO MISTÉRIO DO SEM-FIM


No mistério do Sem-Fim,

equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,

e, no jardim, um canteiro:

no canteiro, urna violeta,

e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o Sem-Fim,

a asa de uma borboleta.

Cecília Meireles

sábado, 4 de setembro de 2010

CRÔNICAS DO EREMITÉRIO DA CARCAÇA CARCOMIDA



Há quem pense que o Eremitério da Carcaça Carcomida foi criado agora. Ou que ele não existe. Que é invenção da minha mente. Enganam-se os que se iludem tentando entender os mistérios que compõe, com certeza, o melhor eremitério existente.



O Eremitério da Caraça Carcomida foi sendo construído ao longo desses oito anos. Aos poucos irei revelando seus cômodos, erguidos cuidadosamente, cada detalhe pensado, refletido. Mostrarei os desenhos do esboço do eremitério e o significado de cada um. Cada aposento, cada sala, ante-sala possui sua história que será cuidadosamente revelada a quem seguir este Eremita Urbano.



Tem-se que tomar cuidado para não se perder em alguns pontos de ruínas, em armadilhas muito bem arquitetadas, em estradas desconstruídas, na pavimentação de tal eremitério, sob a pena de tornar-se um eremita também.



Ser eremita não dói. Não tenha medo.



Caminhe comigo por esses caminhos. Faço-me eremita a partir de você, não o sou por acaso.



Vamos enfrentar tempestades, muralhas, mares revoltos, inimigos imaginários, vamos chorar. Mas também vamos rir, gozar e viver momentos inesquecíveis.

Qual a sua coragem para essa viagem?