domingo, 25 de julho de 2010

Ê AÊ PROFESSOR


Sempre acreditei , e continuarei acreditando até a minha morte, que somente através da reflexão, da geração de polêmicas, do “cutucar” o “ser humano” (onça) com a vara curta, é que conseguimos avançar em nossa evolução nesta curta passagem por esse mundão véio sem porteira.

Não posso negar que a mesmice, que a mediocridade, que uma vida morna, como diria Clarice Lispector, além de me deprimir profundamente, muitas vezes me engessou em devaneios e impasses existenciais. Por isso deixei de fazer muitas coisas (e muitas mesmo).

Minha resistência as técnicas de auto-ajuda me afastaram, de certa forma, da psicologia verdadeira. Sempre ri da psicologia de botequim.

Por isso me dói no ouvido as frases prontas de meus alunos (as)e demais pessoas. As frases decoradas, sem as devidas reflexões.

Devemos incentivar a rebeldia sadia, a contestação, a oposição de idéias que geram conflitos agradáveis ( Pode um conflito ser agradável? Claro que sim!). E essa é a função do professor.

A mediocridade é que não pode ser estimulada. A mediocridade iguala as coisas por baixo.

Detesto ser igualado a qualquer coisa medíocre. Então me esforço para não sê-lo, e olha que é difícil nesse mundinho “forçosamente” politicamente correto.

Assistindo futebol, seja na televisão ou na beira de campinhos de “peladas”,  vejo adultos e garotos chamando os treinadores e até mesmo os árbitros de “professor”.

Muitos treinadores profissionais são formados em Educação Física, são profundos estudiosos,  então merecem ser chamados de professor.

Dolorido é ver qualquer um ser chamado de professor. O cara tem uma profissão qualquer, vai apitar um joguinho de final de semana do juvenil do Zé Ruela Futebol Clube contra o Sport Clube Gosto de Pagode. Ao fazer uma falta o zagueiro lasca um : “Ê aê ‘professor’! Não fiz nada”.

Igualar um professor a qualquer um, demonstra como a sociedade enxerga, hoje em dia, a função de professor: qualquer um pode ser, até o Dunga .

A nostalgia e importância da função de “educar” está mesmo deturpada.

Estou pensando em comprar um cão. O nome  vai ser igual ao que meu sobrinho deu ao cachorro dele: DEPUTADO, mas pode ser também PROFESSOR.

Aí todo dia vou gritar: “Professor, já prá dentro!” , “Professor, VEM...VEM!”.

E todo dia quando chegar em casa, vou falar carinhosamente: “Ê AÊ PROFESSOR”.

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