Como vovó já dizia: “ Diga-me com quem tu andas e te direi quem é!"
Dito e feito. Eu sempre soube que essa máxima é verdadeira. Embora com suas várias nuances.
Vivi isso na pele e jamais me arrependi disso.
Na minha juventude freqüentei todo tipo de ambiente. Como era final da Ditadura Militar e eu era mais rebelde do que sou (que pena), ia a muitos barzinhos e de vários tipos. Naquela época os bares eram bem definidos quanto ao tipo de clientela que freqüentava. Não havia muita mistura de tribos. Freqüentei bares de lésbicas, tinha amigas lésbicas. Freqüentei bares de gays, tinha amigos gays. Tinha muitos amigos músicos e muitos que usavam drogas. A mais usada na época era a maconha, principalmente na periferia, depois outras mais fraquinhas como o lança- perfumes.
Eu era chamado de gay, de maconheiro, de vagabundo, de safado, etc, etc, etc, isso as que eu sei. E, com certeza, outras coisas, que nunca soube.
Nunca peguei em uma "bituca" de maconha. . As únicas drogas que consumia eram álcool e cigarros, vícios que abandonei há muuuuiiiiiito tempo. Nunca mantive relações homossexuais. Não me considero vagabundo, muito pelo contrário, apesar de achar que não nasci para trabalhar (rsrsrsr).
Se o safado era em relação às minhas aventuras de juventude, talvez eu mereça o adjetivo, mas sempre tratei as mulheres com que me relacionei, com muita delicadeza, respeito e cavalheirismo. Nunca saia falando aos quatro ventos com quem tinha “ficado”. A preocupação em preservar as pessoas com as quais tive um relacionamento, eu sempre tive. Acho uma deselegância o contrário.
Então sempre tive um respeito muito grande por todas essas pessoas: gays, lésbicas, maconheiros e aventureiros do amor, etc.
A maioria dos que conheci eram pessoas maravilhosas, agradáveis, solidárias, preocupadas com o coletivo. Não se preocupavam apenas com seus umbigos. Portanto me orgulho de ter convivido com essas pessoas.
Eram pessoas que não desviavam dinheiro público, não acobertavam falta de ética e de profissionalismo no serviço público, não concordavam com injustiças, não eram OMISSOS. Eram "marginais" pois estavam à margem da sociedade.
Eram pessoas que não desviavam dinheiro público, não acobertavam falta de ética e de profissionalismo no serviço público, não concordavam com injustiças, não eram OMISSOS. Eram "marginais" pois estavam à margem da sociedade.
Mas o ditado de minha avó estava certo. De alguma forma as pessoas tinham razão em falar. Eu poderia não ser nada daquilo, mas tinha uma relação estreita com eles, uma relação de amizade, de companheirismo, circulava com eles, havia determinada cumplicidade. Então me digam com quem eu andava que eu te direi quem eu era.
Roriz e Frejat
Sei que muitos dos quais vão ler essas linhas, não vão gostar do que vou dizer. Mas não estou aqui para agradar, estou aqui para dizer.
Quando li que o ex-governador do DF Joaquim Roriz havia escolhido Jofran Frejat para candidato a vice-governador, lembrei-me de Cazuza.
A trajetória de Roriz é nebulosa e mal explicada. Se comparada a vida política de Pedro Simon, por exemplo, veremos a diferença da água para o óleo diesel. Sobre a vida política de Pedro Simon não paira uma sombra sequer, uma única duvida sobre o caráter do político gaúcho, é ÁGUA.
Já sobre a vida política do ex-governador do DF...
Já sobre a vida política do ex-governador do DF...
Se Jofran Frejat, tio de Frejat do Barão Vermelho, anda com Roriz, no mínimo pode ser confundido com ele. Quais explicações de caráter estão implícitas nessa relação?
Cazuza nunca fez acepção de ninguém. Não era careta, não admitia repressão, era rebelde, não aceitava hipocrisia. Tinha atitude, não fazia concessões com a covardia e com autoritarismos. Ele não era o “ cara”, porque para ele, ser “o cara” era aceitar as regras do sistema, era concordar com tudo que ele odiava.
Como presenciei sua trajetória creio que o momento que soube que contraíra AIDS, foi constrangedor e desesperador. Tenho certeza que nos primeiros instantes ele escondeu, mentiu, o que é supernatural no ser humano. O que não significa que tenha sido hipócrita. Foi uma coisa pontual.
Mas depois percebeu a incoerência com a ideologia que traçou para si e retomou a sua liberdade, escancarando tudo.
No auge do Barão Vermelho, rompeu com o relacionamento desgastado com os membros do grupo e com a caretice para qual a banda caminhava. Rompeu com a repressora relação e se lançou em uma trajetória criativa, inigualável.
Quando permitimos relações de dominação, podres poderes (como diria Caetano Veloso), relações antiéticas constantes e não tomamos uma atitude mais consistente, somo iguais ou até mesmo piores que os agentes que cometeram aqueles grandes deslizes normais nos humanos”
A ética seja no trabalho, em casa, na igreja, clube, em nossas relações amorosas, resumindo, em nossas relações sociais, cabe certa tolerância, mas nunca concessões.
Não alcançamos nossa liberdade se nos omitimos nessas ocasiões.
Somente quando percebemos o nó que nos ata e rompemos com aquilo que nos oprime, é que realmente podemos ser livres.
E então? DIGA-ME COM QUEM TU ANDAS?
Copyright "©" 2010 preservado todos os direitos do autor.
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Adooreei o bloog , professor *--*
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