quinta-feira, 19 de abril de 2012

A VERDADEIRA REBELDIA NÃO É COISA PARA ADOLESCENTES



Por ANA PAULA PADRÃO
Eu era ainda mais nova do que as adolescentes da novela Rebelde quando li um poema que mudou a minha vida. The Road Not Taken, do Americano Robert Frost. O título é difícil de traduzir para o português. Mas quer dizer mais ou menos O Caminho Não Trilhado.
Alguns anos depois, naquela fase que os adultos chamam de adolescência rebelde, cortei meu cabelo bem curto e pintei de preto. Achei que era o máximo da ousadia. Se todos gostavam do meu cabelo comprido, pois eu o teria curto e despenteado. 
A gente demora pra descobrir que rebeldia não tem nada a ver com o corte de cabelo, piercings, tatuagens ou qualquer outro visual estranho que nos diferencie dos demais. A verdadeira rebeldia está no poema de Robert Frost. Escolher o caminho não trilhado. O mais difícil. O mais desafiador.
O poema diz que, diante de dois caminhos, ambos parecem bons para o viajante. Ele decide-se por um deles e descobre, muito mais tarde, que essa escolha fez toda a diferença em sua vida. Porque ele optou pelo oposto da maioria. Quando, nas inúmeras encruzilhadas da vida, escolhemos o novo, estamos sendo rebeldes? Se essa é a tal rebeldia, bem-vinda seja!
Fazer uma trajetória diferente daquela que o senso comum ou a cultura vigente aconselham é a rebeldia saudável, que muda a história por abrir novos caminhos para outros. Todo grande movimento que mudou o mundo começou num ato de rebeldia. Por causa das feministas, por mais que hoje eu discorde delas, as mulheres agora podem escolher que caminho desejam para si. Só para citar um dos muitos exemplos dessas revoluções que movem o planeta.
A rebeldia exige coragem. Mas não só isso. Exige sabedoria. Ponderação. A verdadeira rebeldia não é coisa pra adolescentes, mas se você quer se sentir jovem para sempre seja um rebelde.

Versão do poema THE ROAD NOT TAKEN – de Robert Frost. 


A ESTRADA QUE NÃO TOMEI 


Duas estradas num bosque amarelo divergiam; 
Triste por não poder seguir as duas 
Sendo um só viajante, muito tempo parei 
Olhando uma delas, até onde podia alcançar, 
Pois, atrás das moitas, ela dobrava. 
Então tomei a outra que me pareceu de igual beleza, 
Uma vantagem talvez oferecendo 
Por ser cheia de grama, querendo ser pisada; 
Embora neste ponto o estado fosse o mesmo 
E uma, como a outra, tivesse sido usada. 
E naquela manhã todas as duas tinham 
Folhas ainda não escurecidas pelos passos 
Ora! Guardei a primeira para um outro dia! 
Mas sabendo como uma estrada leva a outra, 
Duvidei poder um dia voltar! 
Contarei esta estória suspirando 
Daqui a séculos e séculos em algum outro lugar: 
Duas estradas, num bosque, divergiam; e eu 
Tomei a que era menos freqüentada; 
E foi isso a razão de toda a diferença! 


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