segunda-feira, 9 de agosto de 2010

UM PEREIRA LEGÍTIMO

Nuno Alváres Pereira

Em minha família sempre contestamos  os sobrenomes que nossos pais nos deram. Meu pai  tinha o sobrenome errado. Minha avó por parte de pai  era  Izaltina Ricardina de Campos e meu avó Augusto Pereira Martins, meu pai Idézio Pereira de Campos.  Minha avó por parte de mãe era Nair Del Corso Trombini, meu avô Antonio Trombini e minha mãe Helena Quitéria Trombini.  Portanto  , o nome de meu pai deveria ser Idézio Campos Martins e o meu Valmir Trombini Martins. Tornei-me Valmir  M Pereira Campos. Quando criança não gostava do Pereira. Com o passar do tempo percebi a besteira que isso significa.

Quando meu pai morreu (2001) , em seu velório,  presenciei uma discussão interessante entre uma tia  e um tio meus. Eles discutiam quais os irmãos de meu pai eram os “Pereira” legítimos .
Discutiam ardorosamente tentando usar todos os argumentos possíveis para convencer,  um ao outro, quais  irmãos que seriam os herdeiros legítimos do sobrenome “Pereira”
Tive vontade de rir no velório de meu pai. Mas a cena foi hilária em momento trágico.

Aquela discussão nunca saiu de minha cabeça

Minha filha, hoje com três anos, não herdou o  sobrenome  dos legítimos “Pereiras”.  É Elisa Bella Campos.
Tentei abreviar o possível e tirar o nobre nome de meus antepassados,  que possivelmente plantavam pereiras em Portugal.

Dias desses,  conversando  com Elisa,   fiquei surpreso quando perguntei seu nome. Ela , com um ar solene  que só os nobres possuem,  “tascou” um Elisa Bella Pereira Campos.

Não adianta tentar fugir do seu destino, quem nasceu para ser Pereira sempre será um Pereira, mas   legítimo.

Copyright "©" 2010 preservado todos os direitos do autor.




8 comentários:

  1. Partilhei com você o desgosto de ter Pereira em meu sobrenome. Problema solucionado com o casamento, mas com meu filho fiz questão de caprichar: Alexandre Trombini Campos Hecht de Alencar... sobrenome para ninguem botar defeito.

    Nica

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  2. Este velorio foi muito hilário então, pois eu presenciei a ex-mulher do falecido falando mal do falecido, em um local aonde tinha presente somente amigos e parentes do Papai.

    Nica

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  3. Valmir
    Eu detestava meu sobrenome "DA MATA" quando era novinha. Veja que judiação: JOSÉLIA TAVARES DA MATA RIBEIRO. Nunca gostei e meu pai brigaaaaava porque eu sempre escrevia abreviado, Joselia Tavares M. Ribeiro e ele é super orgulhoso por ser "DA MATA". Lembro que numa discussão, falei pra ele que iria casar só pra tirar esse "DA MATA" do meu nome e fiz como falei, me casei! Mas casei com Rômulo DA MATA RIBEIRO, meu primo. Olha só... não tive coragem de tirar porque seria uma "desfeita" pro marido e hoje assino Joselia da Mata e só! Pode? Ainda perguntam se sou parente da Vanessa da Mata. Agora eu até gosto de ser "DA MATA". Vai entender...
    Um abraço e mais uma vez parabéns pelos textos.

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  4. As pessoas deviam perder tempo com coisas mais importantes na vida. Como por exemplo: amar e respeitar seus pais em vez de se preocupar com besteiras de sobrenomes. A maior mágoa advém do comportamento das pessoas e não de seus apelidos civis.

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  5. A colega anônima disse tudo! Filhos quem "abandonam" seus pais nos momentos em mais ele necessitou, não pode reivindicar comportamentos corretos de outras pessoas. Além disso, por que será que foram ao velório do pai, se nunca o consideraram em vida. Realmente há uma grandíssima incoerência no texto do blog e, como se não bastasse do próprio autor, pois quem conviveu o pai do mesmo sabia que ele pai, fazia questão de ser um "Pereira legítimo". Somente filhos que desconhecem o próprio pai poderiam levantar questão tão irrelevante após a morte do mesmo. Significa que não respeitaram nem sua memória. Quanto aos nomes citados no texto, parece-me uma forma caluniosa de tratar as irmãs do falecido, que tanto consideravam os filhos do irmão (mesmo o autor do texto). De que adianta as pessoas se preocuparem com nomes e deixar um rastro marcado de lágrimas do próprio pai, que sofreu com o afastamento voluntarioso dos próprios filhos. "Nomes" nós podemos mudar judicialmente, mas infelizmente caráter que é mais importante, se Deus não deu, quem dará?????? Daria bons versos (redondilhas, sonetos, elegias, etc.).

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  6. Caro Anonimo
    Concordo com você em parte. Creio que não saiba do relacionamento com meus pais. Não é necessário que me fale do carinho e da atenção que meus tios e tias dispensavam a mim e a meus irmãos. Além disso, sempre presenciei a admiração com que tratavam meu pai, o qual denominavam Nenê. Também sei que meu pai se orgulhava de ser um “Pereira legítimo” e sempre admirei isso, tanto que não entrei na justiça para mudar o nome que ele me deu. Nunca neguei que o desconhecia, e que isso me causou marcas profundas. A falta que ele me fez quando da separação de meus pais, foi algo que me corroeu por anos e anos e ainda permeia minha formação. Mas conhecia o suficiente para admirá-lo. O suficiente para lembrar de quando sentava conosco na área de casa e no escuro da Avenida Visconde do Rio Branco, contava-nos as histórias de lobisomem, saci-pererê, pacuera e muitas outras histórias, principalmente de fantasmas. O anonimato é confortável para quem não consegue enfrentar as vicissitudes da vida de forma madura. Posso assumir um afastamento “voluntarioso” e lhe contar as circunstâncias em que isso aconteceu, pois não me furto aos meus erros, minhas fraquezas, minhas misérias humanas. Mas não posso fazer isso para um fantasma. Se quiser se identificar e conversar de maneira adulta, madura e com toda a franqueza possível estou a disposição. Tenho certeza de que tem muito a contribuir para me ajudar a conhecer meu pai e me auxiliar na construção de meu caráter. Grato pela contribuição. Valmir Campos

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  7. Não vou me identificar, pois meu objetivo não era criar polêmica nem intriga entre pessoas. Por outro lado, vejo que dentre seus irmãos, você conhece seu pai e na realidade também o carinho que as irmãs do mesmo, dedicaram-lhe. Sinto muito se o ofendi, mas toda história tem no mínimo dois lados e você como poeta, mais que ninguém sabe disso. Todo poeta é sensível e não quero estragar essa sua faceta, que tanto admiro. Abraço de um "parente-anônimo"! Melhorou? God be with you and your family!!!!

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    1. Lamento. Espero que um dia se identifique e se aproxime. Sinto falta de parentes e amigos " reais", com os quais possa traçar conversas francas e sinceras. Sem que tenha que me esconder em meus argumentos , sentimentos. e idéias. Daí o blog serv e pra isso. Abraço

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