sábado, 26 de junho de 2010

JUNINHO E O PINÓQUIO



Um dia desses encontrei um amigo que não via há mais de vinte anos, Alfredo Ferreira Júnior, o Juninho. Conversamos via net. Amigo de adolescência. Com ele fundamos uma banda, compusemos algumas musicas, participamos de festivais e compartilhamos noites com vinho Chapinha, aventuras, violão e sonhos futuros.



Não lembro quanto, mas ele era mais velho do que eu. Pouco, talvez um ou dois anos. Estudamos na mesma escola. Fernando Costa de Lins, SP. Eu no 1º ano do Ensino Médio, ele na 6ª ou 7ª série do Ensino Fundamental.

Depois de várias horas de conversa, piadas sobre nosso destino e lembranças do passado, ele me revelou que s e pudesse não faria algumas coisas do passado.

Falou para mim que se arrependia de não ter me ouvido. Sempre falava para ele que matar aulas não iria levá-lo a lugar algum.

Então me lembrei de um trabalho do Rubem Alves, Pinóquio às Avessas. A história de Pinóquio é interessante, mas a moral da história é muito “Caxias”: “Só estudando muito e obedecendo aos pais e a consciência, é que nos tornamos pessoas de verdade.” Ou seja , temos que ser modelos de pessoas , ter sucesso na vida financeira, ter carro, casa, família, etc. Tudo o que é padrão para a sociedade.

Eu nunca fui certinho. Matei aulas pouquíssimas vezes. Algumas vezes para encontrar garotas, umas para ver os treinos do Clube Atlético Linense, outras para jogar futebol. Mas foram poucas vezes. Fiz muitas coisas escondidas de minha mãe. Mas tentava não fazer nada que ela pudesse descobrir e me torrar a paciência, o que toda mãe faz com muita habilidade (mas com muito amor).

Sempre admirei o Juninho por ele ser “meio” inconseqüente e fazer a maioria das coisas que queria. Um de seus dons era a música. Seu sempre quis ter seu dom e facilidade para a música, afinal de contas sempre sonhei em viver de música. Mas não tive esse privilégio.

Ele também faz belos objetos de marcenaria, é um artesão de primeira qualidade. Sempre quis ter habilidade como artesão. Não tive esse privilégio.

O prazer de viver não está no “enquadramento” da moda. Você ter a televisão da última geração, ou o mais novo celular, ou um carro zero, etc, não te dará prazer. São nas pequenas coisas que você se lambuzará.

Um pouco de rebeldia faz bem a qualquer pessoa. Mas lembre-se, sempre com responsabilidade.



Não sei ainda quais  dons o “destino” me reservou. Mas lembrando do Pinóquio ás Avessas,  a resposta para Juninho veio de bate pronto a minha boca:

 “Eu falei isso para você?? Devia ter  matado mais aulas com você.”

Valmir Campos
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