segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sobre Poder e Educação I

Devemos sempre estar atentos as relações de poder no processo ensino-aprendizagem. Isso cabe tanto a professores, administradores e alunos.
Aos diretores de escola essa atenção deve ser redobrada.
Um fenômeno interessante em igrejas é o de personalização dessas instituições. Por exemplo: não é mais Igreja de Nossa Senhora da Coisinha e Tal, é a Igreja do Padre Xipongo. Não é mais Igreja Triangular do 9º Dia, é a Igreja do Pastor Riponga.
As escolas podem não ser tratadas da mesma forma, mas alguns diretores as tratam como propriedade privada. Mandam e desmandam sem lembrar que estão ali para colocar em desenvolvimento uma política educacional (É que às vezes eles nem sabem qual é a política educacional a serem colocadas em prática). Estão a tanto tempo exercendo o “poder” que consideram essas instituições como suas. Pior, consideram essas instituições como de grupos que recebem privilégios. O poder sempre foi assim. Uma elite domina e tenta preservar esses privilégios a todo custo. Foi assim desde o início da história da humanidade, e vai ser assim até o fim.
Mas vejamos alguns comentários do exercício de “poder”:

“Trabalhei em uma escola onde a diretora liberava uma de suas “protegidas” da coordenação, para trabalhar em outra escola particular. A escola toda sabia, pois vários professores tinham filhos estudando nessa escola”. Ela podia fazer isso, pois tinha o poder, não tinha?

“Trabalhei em uma escola em que a diretora autorizava uma professora a vender bombons para os alunos”. Relação promíscua, não é? Ela podia fazer isso, pois tinha o poder, não tinha?

“Trabalhei em uma escola em que a diretora, às escondidas, “aprovou” alunos após o Conselho de Classe Final ter reprovado esses alunos, contrariando a decisão de uma professora. Quando descoberta, manobrou a situação e os professores consultados confirmaram a “falsificação”. Ela podia fazer isso, tinha o poder, não é?
As pessoas encaram isso como normal. Realmente é “normal” em um país promíscuo, acostumado com tanta bandalheira. Escolas deveriam ser exemplos de relações de poder harmoniosos e transparentes. Ainda bem que sabemos que a escola nada mais é do que reflexo da sociedade, nossos políticos aprenderam a lição direitinho, NAS ESCOLAS.

Como diria Públio Siro, poeta latino que viveu no século I a.C. : “O galo tem grande poder no [seu] galinheiro.”
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2 comentários:

  1. “O mundo está sendo invadido pela desavergonhada afirmativa que o poder é todo-poderoso e nada se consegue pela justiça”.
    (Nobel Lecture in Literature, 1972, Alexander Solzhenitsyn)

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  2. No mundo da internet não há mordaça, caro amigo. Você é prova disso. Parabéns pelo texto.

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