Lembro-me que alguém dissertou sobre os “cheiros da infância”. Dizia que associamos os cheiros a momentos de prazer que tivemos, especialmente na infância. Quem não se lembra do cheiro de uma comida que sua avó fazia. Lembro-me que minha avó acordava bem cedo a fim de fazer a marmita de meu avô, fritava o arroz do dia anterior na frigideira. Fritava também de um tipo de lingüiça chamada cabo-de- rei (que só encontro no interior de São Paulo) junto com ovos.
E o cheiro de pessoas. O cheiro de uma bela mulher. Lembro-me de várias delas (rsrs) e fico me achando o Al Pacino no filme Perfume de Mulher. Minha memória olfativa é muito superior as outras.
Esses dias minha memória olfativa foi ativada com um cheiro diferente: o de pipoca. Mas não de uma pipoca qualquer. Pipoca de uma época
Em alguns domingos (lá pelos idos de 1979) íamos à missa e depois passeávamos na praça central da cidade de Lins- SP, único lazer que havia na cidade. Passear na praça aos domingos era o grande evento social da cidade, onde as crianças brincavam correndo livres e soltas sem qualquer receio dos pais, os jovens “paqueravam”, os adultos jogavam conversa fiada (principalmente a típica fofoca de interior) e os idosos assistiam, com os olhos embotados de lágrimas os filmes de suas vidas desfilarem na lembrança daquela praça.
E o cheiro da pipoca? Sim, me veio ao nariz o cheiro da pipoca daquela praça, um cheiro delicioso que eu só podia sentir de longe, afinal não tínhamos dinheiro para comprar um saquinho de pipoca. E estávamos felizes com a simples possibilidade de estarmos ali, na praça, compartilhando momentos e sentindo cheiros de algodão-doce, pipocas e gente.
Sentir aquele cheiro de pipoca, trás boas sensações e um acalanto de que, mesmo hoje, outros cheiros agradáveis (e velhas novas possibilidades) como daquela época podem ser sentidos. Cheiros que não se resumem apenas a pipoca de microondas.
Quem tiver olfato.....
Valmir Campos
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