terça-feira, 13 de setembro de 2011

SOBRE A VIDA E A MORTE



No livro Mosaicos do Presente , Henri J. M. Nouwen, coloca uma questão interessante: “Por que não nos preparamos para a morte?”. Podemos ampliar essa reflexão perguntando: Por que em nossas escolas não discutimos o destino inevitável de todos? Ouço nos discursos acadêmicos que “a escola deve preparar para a vida”. Acredito que ninguém prepara ninguém para a vida. Então, antes de “ensinar” para a vida a escola DEVE SER um local de VIDA, que não se limite estritamente ao conteúdo. E a morte deve ser parte dessa vida.

Ter-se a presunção de poder "preparar" alguém para a vida é um  forte demais. Não ter a disposição para discutir a morte,  enquanto parte da vida,  é coragem de menos, ou covardia demais.

C.S. Lewis, enxergava a morte como uma grande aventura, a qual deveria ser encarada com extrema expectativa, coragem e determinação. Afinal, seria a última aventura. 

Ou não!

Por que falo em morte?

Essa semana, minha filha Elisa Bella , 4 anos , me perguntou :

- Papai! Quando você morrer você vai voltar igual o Aslam ( o leão do filme Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C.S. Lewis)?

- Não filha, só o Aslam  pode fazer isso! Quando  morremos nós não voltamos mais. Foi assim com o vovô! Lembra que eu te contei?

- Mas eu quero que você volte! Eu não quero que você morra!

- Eu também não quero morrer, filha! Mas todos morrem!

- Mas se você morrer quem vai cuidar de mim?

- Não se preocupe com isso agora, filha!

- Mas você promete que não vai morrer?

- Isso eu não posso prometer, filha. Mas posso prometer que vou fazer o possível para não morrer!


Como é difícil discutir a morte. Assim protelamos todos os dias essa discussão, quando deveríamos encará-la com uma questão natural... dolorida... mas natural.

Acho admirável que algumas pessoas, ao saberem que estão nos últimos dias de suas vidas, convidem alguns amigos e realizem uma festa. Festa que brinde os belos momentos desta vida, declarando estarem preparados para a grande aventura da morte.

Confesso que, além de não estar preparado, também não é fácil para mim discutir tal assunto. Vou tentar mudar.

Enquanto isso, Elisa Bella, grande amor, vamos cantando canções para nós vivermos mais.