quinta-feira, 26 de agosto de 2010

QUERIDA GERTRUDES

Nos últimos oito anos,  tenho tido a rotina de nomear tudo que está a minha volta. De objetos a doenças. Assim nasceu o Cascão, meu Gol 1997, branco, que recebeu esse nome por, como o personagem de Mauricio de Souza, não gostar de tomar banho. Há também o Cebolinha, um Pálio que possui uma antena externa que me lembrou o cabelo do também personagem da Turma da Mônica.

Têm o Frederico e o Toni Ramos, dois ursos de Elisa Bella.

E as distintas Gertrudes e Jurema. Minha gastrite e minha artrose, respectivamente.

São tratadas com muito respeito. Afinal de contas, a convivência com as duas não tem sido nada harmoniosa.

Acho que ouvi do Dr. Dráuzio Varella, não tenho muita certeza, que a vida na Terra nada mais é do que a luta constante, incessante, interminável e incansável entre bactérias. Uma tentando sobrepor-se a outra.  O corpo humano é  um hospedeiro de luxo para elas. Ou seja, nosso corpo passa por um processo constante de degeneração.
Sempre admirei o ator Paulo José por sua capacidade criativa e interpretativa. Adorava o seriado Shazan e Xerife e outros trabalhos deste belo  ser humano. Passei admirá-lo mais ainda depois que assisti uma entrevista na qual  falava sobre o Mal de Parkinson. Ele dizia que se “acostumou” ao processo degenerativo da doença. Que independentemente da doença, o corpo humano, após os trinta anos, entra inevitavelmente no processo degenerativo.

Jurema já co-habita comigo, neste mundinho de meu Deus, há algum tempo. Tento tratá-la com o máximo de carinho. Como toda mulher, é meio mandona e cheia de vontades, e já avisou que não larga do meu pé. Portanto devo me preparar para a impossibilidade de divórcio.
Gertrudes chegou a pouco mais de dois meses, já havia dado sinais de sua vinda. Eu que não percebi. Sou meio desligado (Perdoa-me aqueles que me amam, por minhas distrações).

Vou tratá-la com todo carinho. Sei que vou ter que mudar totalmente os meus hábitos para cuidar de você da maneira que merece. Mas farei com a maior boa vontade. Afinal de contas você faz parte de meu processo degenerativo, inevitável a qualquer um de nós.

Seja bem-vinda, querida Gertrudes!

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