segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sobre pipocas

Lembro-me que alguém dissertou sobre os “cheiros da infância”. Dizia que associamos os cheiros a momentos de prazer que tivemos, especialmente na infância. Quem não se lembra do cheiro de uma comida que sua avó fazia. Lembro-me que minha avó acordava bem cedo a fim de fazer a marmita de meu avô, fritava o arroz do dia anterior na frigideira. Fritava também de um tipo de lingüiça chamada cabo-de- rei (que só encontro no interior de São Paulo) junto com ovos.



E o cheiro de pessoas. O cheiro de uma bela mulher. Lembro-me de várias delas (rsrs) e fico me achando o Al Pacino no filme Perfume de Mulher. Minha memória olfativa é muito superior as outras.



Esses dias minha memória olfativa foi ativada com um cheiro diferente: o de pipoca. Mas não de uma pipoca qualquer. Pipoca de uma época



Em alguns domingos (lá pelos idos de 1979) íamos à missa e depois passeávamos na praça central da cidade de Lins- SP, único lazer que havia na cidade. Passear na praça aos domingos era o grande evento social da cidade, onde as crianças brincavam correndo livres e soltas sem qualquer receio dos pais, os jovens “paqueravam”, os adultos jogavam conversa fiada (principalmente a típica fofoca de interior) e os idosos assistiam, com os olhos embotados de lágrimas os filmes de suas vidas desfilarem na lembrança daquela praça.



E o cheiro da pipoca? Sim, me veio ao nariz o cheiro da pipoca daquela praça, um cheiro delicioso que eu só podia sentir de longe, afinal não tínhamos dinheiro para comprar um saquinho de pipoca. E estávamos felizes com a simples possibilidade de estarmos ali, na praça, compartilhando momentos e sentindo cheiros de algodão-doce, pipocas e gente.



Sentir aquele cheiro de pipoca, trás boas sensações e um acalanto de que, mesmo hoje, outros cheiros agradáveis (e velhas novas possibilidades) como daquela época podem ser sentidos. Cheiros que não se resumem apenas a pipoca de microondas.



Quem tiver olfato.....



Valmir Campos



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Sobre Poder e Educação I

Devemos sempre estar atentos as relações de poder no processo ensino-aprendizagem. Isso cabe tanto a professores, administradores e alunos.
Aos diretores de escola essa atenção deve ser redobrada.
Um fenômeno interessante em igrejas é o de personalização dessas instituições. Por exemplo: não é mais Igreja de Nossa Senhora da Coisinha e Tal, é a Igreja do Padre Xipongo. Não é mais Igreja Triangular do 9º Dia, é a Igreja do Pastor Riponga.
As escolas podem não ser tratadas da mesma forma, mas alguns diretores as tratam como propriedade privada. Mandam e desmandam sem lembrar que estão ali para colocar em desenvolvimento uma política educacional (É que às vezes eles nem sabem qual é a política educacional a serem colocadas em prática). Estão a tanto tempo exercendo o “poder” que consideram essas instituições como suas. Pior, consideram essas instituições como de grupos que recebem privilégios. O poder sempre foi assim. Uma elite domina e tenta preservar esses privilégios a todo custo. Foi assim desde o início da história da humanidade, e vai ser assim até o fim.
Mas vejamos alguns comentários do exercício de “poder”:

“Trabalhei em uma escola onde a diretora liberava uma de suas “protegidas” da coordenação, para trabalhar em outra escola particular. A escola toda sabia, pois vários professores tinham filhos estudando nessa escola”. Ela podia fazer isso, pois tinha o poder, não tinha?

“Trabalhei em uma escola em que a diretora autorizava uma professora a vender bombons para os alunos”. Relação promíscua, não é? Ela podia fazer isso, pois tinha o poder, não tinha?

“Trabalhei em uma escola em que a diretora, às escondidas, “aprovou” alunos após o Conselho de Classe Final ter reprovado esses alunos, contrariando a decisão de uma professora. Quando descoberta, manobrou a situação e os professores consultados confirmaram a “falsificação”. Ela podia fazer isso, tinha o poder, não é?
As pessoas encaram isso como normal. Realmente é “normal” em um país promíscuo, acostumado com tanta bandalheira. Escolas deveriam ser exemplos de relações de poder harmoniosos e transparentes. Ainda bem que sabemos que a escola nada mais é do que reflexo da sociedade, nossos políticos aprenderam a lição direitinho, NAS ESCOLAS.

Como diria Públio Siro, poeta latino que viveu no século I a.C. : “O galo tem grande poder no [seu] galinheiro.”
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domingo, 23 de maio de 2010

VOCÊ É UMA INCÓGNITA?


Sabemos que em matemática, uma incógnita é uma variável cujo valor deve ser determinado de forma a resolver uma equação ou inequação. A incógnita é representada pelas letras x, y e z, ou a, b, c, etc.

A incógnita é basicamente um valor desconhecido, que irá ser descoberto por meio de uma equação, que pode ser tanto de 1º grau quanto de 2º grau, variando de acordo com a sua dificuldade de execução.

Hoje, novos termos estão sendo utilizados por sociólogos para definir público-alvo em marketing, são: Gerações X, Gerações Y, Gerações Z. A Geração X é a que tem menos contato com tecnologia. A Geração Y é a Geração que viu as tecnologias serem implementadas e a Z a que já nasceu em meio à revolução digital.

Não muito longe, as gerações eram chamadas de “geração coca-cola”, geração “amor livre”, “geração hippie”, “geração beat”. Designadas por seus ideais, suas posturas, seus valores, suas alienações. Eles tinham conteúdo, ruim ou bom , mas tinham. As pessoas dessas gerações se perderam, definharam nas suas “ideologias”, nos seus “valores", e seus filhos formaram as novas gerações: X, Y e Z. Sugestivos valores, não é?.

Hoje, são denominadas GERAÇÕES X, Y, Z, incógnitas. Valores desconhecidos, nossas novas gerações, levam a uma dolorida reflexão para se encontrar os valores indeterminados, ocultos.

Quando o muro de Berlim caiu e o Regime comunista ruiu, na antiga União Soviética, Caetano Veloso falou: “Daqui um tempo veremos quem realmente era materialista”.

Talvez ele não se lembre disso. Nenhum dos dois sistemas saiu vitorioso (nem capitalismo nem socialismo), mas o capitalismo comprovou o que Caetano falou, qualquer das gerações x, y , z ou etc, todas elas só tem o consumo materialista como meta de vida, como ideologia, como valor básico. Em todas essas gerações o individualismo é latente.

Resta saber se ao efetuar o cáuculo, saberemos definir o valor da incógnita que somos? Podemos ir mais além, será que essas gerações saberão calcular as equações e inequações que nos tornamos?

Valmir Campos
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Não serei o poeta de um mundo caduco.?


Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade

SOBRE HOSPÍCIOS, ESCOLAS E QUARTÉIS

Interessante a reflexão sobre essas três palavras. Qual a relação que as três teriam. Teriam? Ou estou equivocado? Ou louco? Quantos ditadores sem espaço para o exercício esquizofrênico do seu poder, em casa, o exercem dentro das salas, e até mesmo em cargos administrativos?



A ditadura militar, a que o Brasil esteve refém, fez direitinho a lição de casa. Construiu gerações sem ideologia, sem espírito coletivo, que só pensam no seu próprio umbigo, consumistas, hedonistas. Pseudo-democratas que não conseguem conduzir suas vidas sem estruturá-las em frases isoladas advindas de livros de auto-ajuda. As escolas estão cheias de docentes assim.


Uma professora exige que seus alunos fiquem sentados em posição ereta, sem se comunicarem. Ninguém na sala pode rir a não ser ela de suas próprias piadas. Cômico ou trágico?






Quando alunos questionam a ética de professores, qual o significado real disso?


Interessante seria estudar a patologia psicológica de vários alunos juntamente com a de seus professores. Quem deveria , supostamente , ter consciência sobre sua real e objetiva condição não tem (os professores). Os mecanismos utilizados pelos alunos para transpor suas patologias deveriam constar em cartilhas para servir como modelo. Eles são altamente capazes de suplantar problemas e perceber a patologia existente em quem deveria “gerir” sua educação. Claro que não com a cientificidade oficial. Um bom papo com eles sobre as características psicológicas de seus professores, revelaria muita coisa interessante a ser utilizado nos projetos educacionais.


Os alunos sabem, exatamente,  as características de cada professor seu. O caráter de cada um, o mau caráter de cada um, o professor ético, o professor aético,  os "puxas tapete", quem dá aula, quem enrola, quem prepara a aula, quem não prepara, quem domina o conteúdo, quem  não domina, quem é ditador, quem é democrático, quem é falso, quem é verdadeiro. Isso se encaixa também para quem administra as escolas. Conhecem todos, melhor do que os próprios profissionais em educação.

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

ADEUS


A sua pedagogia não é
diferente do subsolo do Conic.
Não me dê a mão,
não preciso dela.
Mesmo assim vamos
fazer um picnic.
Não aqui,
o cheiro de urina é forte
e as borboletas continuam a defecar
sobre o asfalto.
Pegue o seu amor
e enfie onde quiser,
menos no meu sanduiche de atum,
isso me causaria muita dor.

Valmir Campos
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Olá....Vamos começar a dividir????