Por Valmir Campos
Quero andar sobre pedras,
a relva macia não me alimenta mais.
O verde da grama colore minha alma
e o orvalho hidrata demais os meus pés.
Assim, pés macios, minha jornada medíocre,
mistura-se ao odor acridoce da multidão.
Quero sabores flutuantes,
quero almas intensas, mundanas,
que me aliciem ao vendaval,
que profanem os caminhos,
que provoquem desvios,
que me permitam estradas
tortuosas.
Quero descobrir as nuances
preto e branco
das paisagens desbotadas da cidade.
Os detalhes cinzas
da alma enrugada da jovem atriz.
Quem sabe assim, meus pés
possam
saborear a tempestade que
se avizinha,
sem a comodidade da minha
alma.